
Ouço minha colega exclamar: «Ai, minha santa Bigodênia!». Mais do que uma invocação de patrocínio é uma interjeição de espanto, aborrecimento ou impaciência. É expressão que encontro no centro-oeste do Brasil.
Como interjeição, santa Bigodênia está muito próxima de santa Periquita do bigode louro. Expressões que – em momentos de impaciência e aborrecimentos – trazem humor e estroinice à situação.
Santa Bigodênia!
Este nome pseudo-hagiográfico atiçou a minha curiosidade. Dou-me ao desfrute de pesquisar.
Jorge Campos Tavares, em seu Dicionário de santos, dá notícia de uma santa do século VII: Santa Begga de Andenne, abadessa. Para mim, a charada está resolvida. O nome da trisavó de Carlos Magno sofreu mutações no tempo e no espaço para ser a Bigodênia do Cerrado.
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Begga era filha do primeiro duque de Brabante, irmã de Gertudes de Nivelles e mãe de Pepino II de Heristal. Após a viuvez, fundou uma abadia beneditina em Andenne, na atual Bélgica. Viveu 78 anos, numa época em que a expectativa de vida de uma mulher nobre era de 40 anos.
Sua representação iconográfica é uma abadessa com coroa ducal, ou com sete capelas que fez construir, ou ainda com uma galinha e sete pintinhos. Sua festa é no dia 17 de dezembro.
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Querido! Só você pra descobrir uma coisa dessas!!
rsrs
E a “Santa Periquita do Bigode Louro”, alguma referência?
Beijos e queijos do Marajó