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Santidade

Em Religião, domingo, 01.11.2009 às 10:33

bom_samaritanoCelebra-se hoje, em algumas denominações cristãs, a festa de todos os santos.

Ana Diniz, em sua bem humorada novela Santíssima greve, propôs aos anjos um desafio: mediar os anseios humanos. Tarefa até então desempenhada pelos santos, que naquele momento estavam em greve. O desastre da mediação angelical estava no fato destes não terem tido o privilégio da humanidade. A narrativa se desenvolve com episódios inusitados. A encarnação é essencial para a aproximação do humano ao divino. Wim Wenders trouxe este olhar sobre o humano e o angélico em Asas do Desejo (Der Himmel ünder Berlin). O anjo que se apaixona pela trapezista é uma metáfora sempre rica em interpretações e derivações.

A santidade supõe humanidade e divindade. O humano santifica-se em sua relação amorosa com o Único Santo. Para viver a experiência do humano, Cristo se encarna e nos ama; pela encarnação, nos chama à santidade.

Os santos celebrados hoje não ultrapassaram os limites da humanidade; trouxeram a face do Único Santo para a proximidade do humano. Cada um de nós, em seu tempo e em seu espaço, é a possibilidade da manifestação do Amor. Quando o nosso agir é um ato amoroso, testemunhamos a santidade que vem d’Ele. E, neste testemunhar, somos santos. A santidade será a experimentada pelo outro que percebeu em nós um fragmento do Único Santo.

Cada santo, cada um de nós, tem um modo próprio de manifestar uma característica do amor: atenção, zelo, paciência, operosidade, justiça, retidão, alegria, criatividade… Assim como no filme de Wim Wenders percebemos os anjos e não os vemos; vemos os santos e não nos damos conta.

Alguns santos, algumas santas, ainda estão a perambular pelas ruas e pelos nossos corações. Não nos damos conta que aquela nossa cozinheira pode ser uma Santa Zita; que o nosso pai foi um zeloso São José e nossa mãe uma doce Santa Maria. Ao passear com os olhos pelo álbum de família, pode-se surpreender-se com uma inesperada iconóstase das formas e modos de Deus manifestar o seu amor.

Ser santo, afinal, é trazer Deus, não para nós, para nosso deleite; mas para o mundo, para o outro. Ser santo é permitir a experiência de Deus Amor na vida dos outros. Ser santo é perceber que o Deus que há em mim deseja saudar o Deus que há em ti.

Namastê!

GO-092-7

  1. Caríssimo,
    Faça o favor de ser direto ao assunto, que sempre é muito interessante, pois esta mixórdia de dados culturais podem deixar confusos os mais incautos e menos provilegiados de verve. Não se perca nessas firulas. Beijos do, Geraldo. PS. Deixa de rocambole, pô!

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