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Milagre

Em Religião, quarta-feira, 20.10.2010 às 11:04

Há muitos milagres em nossas vidas e não nos damos conta.
O milagre é fruto do encontro pessoal, único e modificador com o Eterno. O que muitas vezes queremos é mágica; não milagre.

O milagre é fruto da fé e da esperança que brota num ato de amor. No milagre, a fé anima a esperança que proclama o poder do amor.

Na história de Rute, a moabita, o milagre é a fidelidade amorosa num contexto em que não havia razões para esperança; num cenário de amargura. Mesmo assim, a esperança – enraizada na fé – proclama a supremacia do amor. Aí já se realiza o milagre. Tudo mais vem em acréscimo: o resgate, a herança, a fartura, o casamento, o filho, a descendência, a alegria.

O milagre é a superação da desesperança. Em seu canto, Rute nada pede. Sua presença, sua adesão ao amor incondicional é o milagre:

Não insistas comigo para eu te abandonar e
deixar a tua companhia.

Para onde fores, eu irei, e
onde quer que passes a noite, pernoitarei contigo.

O teu povo é o meu povo,
o teu Deus é o meu Deus,
onde quer que venhas a morrer,
aí eu quero morrer e aí quero ser sepultada.

Que o Senhor me cumule de castigos,
se não for só a morte a nos separar uma da outra.

(Rt 1, 16-17)

Em nossas histórias de vida, o maior milagre é pedir pelo milagre.

Estive no Círio, em Belém. Ao longo da procissão, encontram-se os “carros dos milagres” onde depositam-se os ex-votos dos romeiros. Materialização da esperança, tributo de amor reverente daqueles que souberam esperar contra toda desesperança.

No coração dos pobres, o chão fértil dos milagres.

Desnudados do ceticismo, ousamos pedir e mais ainda: ousamos crer que seremos atendidos na medida e na largueza do Amor.

  1. Jó e Rute são meus ícones do tempo antigo. Jó pela insistência na inocência; e Rute pela inteligência. Ambos transformam fraqueza em força. Ambos revelam uma vontade que ninguém quebrou.
    E o Círio depois de Caraça – é ir de um extremo a outro, da máxima intimidade à exposição total.
    Amanhã é o domingo da festa.
    O outro será o da eleição.
    Me dá vontade de dizer como Jó: não basta, ainda?
    Que Deus nos ajude!

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