Scribendo disces scribere

Se encontrares no caminho…

In Citações, Ecologia, Religião on domingo, 10.09.2017 at 13:25

Esta responsabilidade perante uma terra que é de Deus implica que o ser humano, dotado de inteligência, respeite as leis da natureza e os delicados equilíbrios entre os seres deste mundo, porque «Ele deu uma ordem e tudo foi criado; Ele fixou tudo pelos séculos sem fim e estabeleceu leis a que não se pode fugir!» (Sl 148, 5b-6).

Consequentemente, a legislação bíblica detém-se a propor ao ser humano várias normas relativas não só às outras pessoas, mas também aos restantes seres vivos: «Se vires o jumento do teu irmão ou o seu boi caídos no caminho, não te desvies deles, mas ajuda-os a levantarem-se. (…) Se encontrares no caminho, em cima de uma árvore ou no chão, um ninho de pássaros com filhotes, ou ovos cobertos pela mãe, não apanharás a mãe com a ninhada» (Dt 22, 4.6). Nesta linha, o descanso do sétimo dia não é proposto só para o ser humano, mas «para que descansem o teu boi e o teu jumento» (Ex 23, 12). Assim nos damos conta de que a Bíblia não dá lugar a um antropocentrismo despótico, que se desinteressa das outras criaturas.

Papa Francisco. Laudato sí, n. 68.

 

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Mogno

In Ecologia on domingo, 10.09.2017 at 12:40

Há uma ilha chamada Mosqueiro.
Nesta ilha há uma casa e um jardim,
e essa casa se chama Jardim.

No meio do Jardim uma árvore, amada e reverenciada. Plantada quando o caçula ainda era menino. É mogno, madeira de lei, árvore altaneira, já com décadas a embelezar e assombrear. O caçula já tem dois rebentos que olham admirados o belo espécimen de Swietenia macrophylla.

Mas, pelos desvãos tristes da pequenez humana, um alguém não gosta de sua existência. As douradas folhas perturbam o azul de alguma piscina. No mundo dos desejos irrefreáveis, mata-se o que não se ama. O mogno foi envenenado.

Não é parábola; quisera que fosse, já teria acordado de tão agourento sonho. O mogno foi envenenado, com crueldade, premeditação e frieza. Coisas do desamor, do brutal desvalor da vida.

Esse mogno assassinado é só uma expressão da maldade que faz com que a Amazônia seja destruída por decretos. É a mesma mão assassina que mata de inanição um Museu Goeldi.

Em minha raiva desejaria fazer, com um pedaço do mogno, uma borduna e sentar no lombo de quem infligiu tamanha ofensa à natureza. O desejo de um Curupira, que habita o nosso interior, é de vingar a natureza.

Mas aos que amam a Deus, tudo se converte para o bem.
Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum (Rm 8,28).

Da morte brota a vida. Da generosidade dessa árvore fez-se uma mesa para a partilha, para a comunhão. Nessa mesa se lembrará sempre do tempo em que a semente foi plantada e  germinou; que foi cuidada e amada. De um fragmento do sacrifício desse mogno, fez-se uma pequena cruz para nos lembrar a Vida extinta pelos caprichos e ganâncias sem medida.

Da árvore tombada soerguem-se cruzes, mesas, bordunas; mas podemos ainda fazer dois cavalinhos de pau para brincar de Dom Quixote: porque a vida não é nada sem sonho e sem luta.

Santidade do coração

In Citações, Oração on quarta-feira, 17.02.2016 at 17:30

Clemente- Romano, papa(séc. I)

Tu, Senhor, criaste a terra,
tu, fiel em todas a s gerações,
justo nos teus juízos,
admirável na força e na magnificência
sábio ao criar,
inteligente ao estabelecer as coisas criadas,
bom nas coisas visíveis,
benévolo para os que confiam em ti,
misericordioso e compassivo,
perdoas as nossas iniquidades e as injustiças,
as quedas e as negligências.

Não contes os pecados dos teus servos
e das tuas servas […] e dirige os nossos passos
para caminharmos na santidade do coração.

 

São Clemente Romano, papa (Séc. I) − Carta aos cristãos de Corinto, 60, 1-2